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Contrato de Parceria Empresarial: Modelo e Como Fazer [2026]

7 de fevereiro de 202613 min de leitura

Equipe GeraContratos

Especialistas em Contratos e Direito Imobiliario

Formar uma parceria empresarial pode ser o impulso que seu negócio precisa para crescer. Mas sem um contrato bem estruturado, parcerias podem se tornar fontes de conflitos e prejuízos. Neste guia, você vai aprender tudo sobre contratos de parceria, desde os tipos até as cláusulas essenciais.

O Que É um Contrato de Parceria Empresarial

Um contrato de parceria empresarial é um documento legal que formaliza a relação entre duas ou mais pessoas ou empresas que decidem unir esforços para atingir um objetivo comercial comum. Diferente de uma sociedade formal, a parceria pode ser temporária ou voltada para projetos específicos.

Diferenças entre parceria e sociedade:

  • Parceria: relação contratual flexível, pode ser temporária ou por projeto
  • Sociedade: constituição formal de empresa com registro na Junta Comercial
  • Parceria: não cria nova pessoa jurídica necessariamente
  • Sociedade: cria nova empresa com CNPJ próprio
  • Parceria: dissolução mais simples e rápida
  • Sociedade: dissolução requer processo formal com baixa na Junta Comercial

Tipos de Parceria Empresarial

1. Parceria Comercial Simples

Duas empresas se unem para comercializar produtos ou serviços de forma complementar. Exemplo: uma agência de marketing que faz parceria com uma empresa de desenvolvimento web para oferecer pacotes completos.

2. Joint Venture

Parceria estratégica para um projeto específico, geralmente de médio a longo prazo. As empresas mantêm suas identidades e dividem investimentos, riscos e lucros do projeto. Comum em construção civil, tecnologia e eventos.

3. Parceria de Distribuição

Uma empresa autoriza outra a distribuir ou revender seus produtos em determinada região ou canal. Exemplo: fabricante que firma parceria com distribuidores regionais.

4. Parceria Estratégica

Alinhamento de longo prazo entre empresas complementares para troca de conhecimento, recursos ou acesso a mercados. Exemplo: startup de tecnologia que faz parceria com empresa tradicional para ter acesso a sua base de clientes.

5. Consórcio

União temporária de empresas para executar um projeto específico, comum em licitações públicas e grandes obras. Cada empresa mantém sua autonomia, mas trabalham juntas no projeto.

Cláusulas Essenciais em um Contrato de Parceria

Um contrato de parceria bem estruturado deve prever todas as situações possíveis da relação comercial. Veja as cláusulas indispensáveis.

1. Qualificação das Partes

Identificação completa de cada parceiro:

  • Nome completo ou razão social
  • CPF ou CNPJ
  • Endereço completo
  • Dados de contato (e-mail e telefone)
  • Representantes legais (se pessoa jurídica)

2. Objeto da Parceria

Descrição clara e detalhada do objetivo da parceria. Seja específico sobre o que cada parte vai fazer, quais produtos ou serviços serão oferecidos, e qual o resultado esperado.

A falta de clareza no objeto da parceria é a principal causa de conflitos. Detalhe exatamente o que está incluído e, mais importante ainda, o que NÃO está incluído na parceria.

3. Obrigações de Cada Parte

Especifique as responsabilidades de cada parceiro:

  • Investimento financeiro de cada parte (valores e prazos)
  • Recursos materiais que cada um vai contribuir
  • Equipe e mão de obra designada
  • Conhecimento técnico e propriedade intelectual
  • Responsabilidades operacionais específicas
  • Prazos para cumprimento das obrigações

4. Divisão de Lucros e Prejuízos

Esta é uma das cláusulas mais críticas. Defina claramente como serão rateados os ganhos e as perdas da parceria.

Modelos comuns de divisão:

  • Divisão igualitária: 50/50 quando há contribuição equivalente
  • Divisão proporcional ao investimento: cada parte recebe conforme aportou
  • Divisão por contribuição: considera investimento + trabalho + recursos
  • Divisão híbrida: parte fixa + parte variável por desempenho
  • Divisão progressiva: percentuais mudam conforme metas são atingidas

5. Gestão e Tomada de Decisões

Estabeleça regras claras sobre o poder de decisão:

  • Quem tem poder de decisão no dia a dia
  • Quais decisões exigem aprovação de todos os parceiros
  • Como resolver empates em votações
  • Quem pode assinar contratos em nome da parceria
  • Limites de alçada para gastos e investimentos
  • Periodicidade de reuniões entre os parceiros

6. Prazo de Vigência

Defina se a parceria é por tempo determinado (prazo específico) ou indeterminado (sem prazo final). Para projetos específicos, recomenda-se prazo determinado com possibilidade de renovação.

7. Confidencialidade

Proteja informações sensíveis compartilhadas durante a parceria. Inclua cláusula de confidencialidade (NDA) cobrindo dados comerciais, técnicos, estratégicos e de clientes.

8. Propriedade Intelectual

Defina claramente a propriedade sobre criações da parceria:

  • Quem é dono de produtos/serviços desenvolvidos em conjunto
  • Como será feito o licenciamento de tecnologias
  • Direitos de uso de marcas e patentes de cada parte
  • O que acontece com a propriedade intelectual após o fim da parceria
  • Direitos sobre base de clientes e dados gerados

9. Exclusividade

Estabeleça se a parceria é exclusiva ou não. Pode haver exclusividade territorial, por segmento ou total. Defina também se os parceiros podem firmar parcerias concorrentes simultaneamente.

10. Condições de Saída

Como um parceiro pode sair da relação:

  • Aviso prévio necessário (geralmente 30 a 90 dias)
  • Condições financeiras da saída (buyout, divisão de ativos)
  • Destinação dos clientes e contratos em andamento
  • Não-competição pós-saída (período e abrangência)
  • Obrigações que permanecem após a saída
  • Processo de transição e transferência de responsabilidades

Como Estruturar a Divisão de Lucros

A divisão de lucros é uma das questões mais delicadas em parcerias. Veja modelos práticos e quando usar cada um.

Modelo 1: Divisão por Investimento Inicial

Parceiro A investe R$ 70.000 e Parceiro B investe R$ 30.000 no projeto. Total: R$ 100.000. Neste modelo, A fica com 70% dos lucros e B com 30%, proporcional ao capital investido.

Modelo 2: Divisão por Contribuição Total

Considera investimento financeiro + trabalho + recursos. Atribui valores monetários a cada contribuição. Exemplo: A investe R$ 50.000 em dinheiro, B contribui com R$ 30.000 em equipamentos e 500 horas de trabalho avaliadas em R$ 20.000. Total: A = R$ 50.000 (50%), B = R$ 50.000 (50%).

Modelo 3: Divisão Híbrida com Gatilhos

Divisão que evolui conforme resultados:

  • Fase 1 (primeiros 6 meses): 70% para quem investiu capital, 30% para quem trabalha
  • Fase 2 (após recuperar investimento): 50/50
  • Fase 3 (após atingir meta X de faturamento): 40% investidor, 60% operador
  • Este modelo incentiva crescimento e reconhece contribuições diferentes ao longo do tempo

Lembre-se: divisão de lucros não precisa ser igual à divisão de prejuízos. Você pode ter 50/50 nos lucros mas prejuízos proporcionais ao investimento inicial. Defina claramente ambos os cenários.

Estratégia de Saída: Como Dissolver a Parceria

Toda parceria deve ter uma estratégia de saída clara desde o início. Isso evita conflitos e garante uma dissolução justa se a relação não funcionar.

Situações que acionam a dissolução:

  • Término do prazo contratual (se houver)
  • Conclusão do projeto específico
  • Acordo mútuo entre as partes
  • Violação grave de cláusulas contratuais
  • Impossibilidade de cumprimento das obrigações
  • Falência ou recuperação judicial de um dos parceiros
  • Mudança significativa no cenário de negócios

Cláusula de Buy-Sell (Compra e Venda)

Também chamada de shotgun clause, estabelece um mecanismo para um parceiro comprar a parte do outro. Funciona assim: Parceiro A oferece comprar a parte de B por X. B pode aceitar vender ou inverter a oferta e comprar a parte de A pelo mesmo valor X. Isso garante que ofertas sejam justas.

Processo de Liquidação

Passos para encerrar a parceria de forma organizada:

  • Inventário completo de ativos e passivos
  • Quitação de todas as dívidas e obrigações pendentes
  • Divisão de ativos conforme percentual de participação
  • Encerramento de contratos com fornecedores e clientes
  • Transferência de propriedade intelectual conforme acordado
  • Devolução de equipamentos e recursos
  • Prestação de contas final com balanço fechado

Cláusulas de Proteção Contra Conflitos

Prevenir é melhor que remediar. Inclua cláusulas que protegem a parceria de situações comuns de conflito.

Não-Competição

Estabelece que durante a parceria e por período após o encerramento (geralmente 12 a 24 meses), os parceiros não podem atuar em negócios concorrentes diretos na mesma região ou segmento.

Não-Aliciamento

Proíbe que um parceiro contrate funcionários, fornecedores ou clientes do outro parceiro durante e após a parceria por período determinado (geralmente 12 meses).

Resolução de Conflitos

Defina mecanismos para resolver divergências:

  • 1ª instância: negociação direta entre os parceiros (prazo de 15 dias)
  • 2ª instância: mediação com profissional neutro (prazo de 30 dias)
  • 3ª instância: arbitragem vinculante (decisão final em 60 dias)
  • Última instância: Justiça comum (apenas se arbitragem falhar)
  • Escolha do foro: defina qual comarca terá competência

Aspectos Tributários de Parcerias

Parcerias têm implicações fiscais importantes. Cada modelo de parceria pode ter tratamento tributário diferente.

Considerações tributárias importantes:

  • Parceria sem nova empresa: cada parte tributa sua receita independentemente
  • Joint venture com nova empresa: a nova PJ tem suas próprias obrigações fiscais
  • Distribuição de lucros entre PJs: isenta de imposto de renda (dividendos)
  • Remuneração por serviços: tributada normalmente conforme regime da empresa
  • Repasse entre empresas: emissão de nota fiscal obrigatória
  • Consultoria tributária recomendada para estruturar da melhor forma

Consulte sempre um contador antes de firmar a parceria. A estrutura tributária pode fazer enorme diferença no resultado líquido que cada parceiro receberá.

Erros Comuns em Contratos de Parceria

Evite estes erros que causam a maioria dos problemas:

  • Contrato verbal ou informal: sempre formalize por escrito
  • Divisão de lucros vaga: seja específico sobre percentuais e critérios
  • Não definir quem decide o quê: estabeleça governança clara
  • Ausência de cláusula de saída: preveja como a parceria pode terminar
  • Não proteger propriedade intelectual: defina claramente a quem pertence o quê
  • Esquecer de prever prejuízos: todos falam de lucros, mas e se der errado?
  • Não estabelecer exclusividade: deixe claro se pode ter parcerias concorrentes
  • Prazos irreais: seja realista sobre cronogramas e entregas
  • Falta de revisão jurídica: sempre tenha um advogado revisando o contrato

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Criar contrato de serviços

Perguntas frequentes sobre contratos de parceria:

Preciso registrar o contrato de parceria em cartório?

Não é obrigatório, mas é altamente recomendado. O registro em cartório dá fé pública ao documento e comprova a data de assinatura, facilitando a resolução de eventuais conflitos. O custo é baixo (cerca de R$ 100 a R$ 300) e a segurança jurídica vale muito a pena.

Posso fazer parceria sendo MEI?

Sim, mas com cuidado. MEI não pode ter sócios, mas pode fazer parcerias comerciais com outras empresas para vender produtos ou serviços. O importante é que cada MEI emita suas próprias notas fiscais e não haja relação societária formal. Se a parceria for muito estruturada, pode ser melhor migrar para ME.

Como dividir lucros se um parceiro trabalha mais que o outro?

A divisão deve considerar todas as contribuições: capital investido, trabalho dedicado, recursos aportados e conhecimento técnico. Uma opção é: atribuir valor monetário ao trabalho (ex: horas x R$/hora) e somar ao investimento financeiro, depois calcular percentuais. Outra opção é ter uma parte fixa (por investimento) e uma variável (por dedicação).

O que acontece se um parceiro quiser sair antes do prazo?

Depende do que está previsto no contrato. Geralmente: (1) dar aviso prévio (30-90 dias), (2) receber de volta seu investimento proporcional aos resultados até a data, (3) abrir mão de lucros futuros, (4) cumprir cláusula de não-competição se houver. Se o contrato não prevê saída antecipada, será preciso negociar ou entrar em mediação.

Parceria precisa de CNPJ próprio?

Não necessariamente. Parcerias simples podem funcionar com as empresas existentes emitindo notas fiscais entre si. Mas se a parceria for complexa, longa ou envolver grandes investimentos, pode ser interessante criar uma nova empresa (joint venture) com CNPJ próprio, onde os parceiros são sócios. Consulte um contador para avaliar o melhor modelo.

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