Quanto Cobrar por Hora como Freelancer: Calculadora e Guia Completo
Equipe GeraContratos
Especialistas em Contratos e Direito Imobiliario
A pergunta que todo freelancer faz: quanto cobrar pela minha hora? Cobrar errado é um dos principais motivos de fracasso de profissionais autônomos — seja por cobrar tão pouco que não paga as contas, seja por cobrar tanto que afasta todos os clientes.
Neste guia, você vai aprender a calcular seu valor hora de forma técnica, considerando todos os custos que geralmente são esquecidos.
Por que a maioria dos freelancers cobra errado
O erro mais comum é comparar o valor hora com um salário CLT. Se você ganhava R$ 5.000/mês CLT e trabalhava 160 horas, pensa: "minha hora vale R$ 31,25". Errado. Muito errado.
O que o CLT tem que você não tem mais:
- INSS pago pelo empregador (20% do salário)
- FGTS (8% do salário)
- 13º salário
- Férias remuneradas + 1/3
- Vale alimentação/refeição
- Plano de saúde
- Equipamentos (computador, mesa, cadeira)
- Escritório (aluguel, luz, internet)
- Estabilidade de renda
Para ter a mesma qualidade de vida de um CLT de R$ 5.000, você precisa faturar pelo menos R$ 8.000-10.000 como autônomo. Isso muda completamente seu cálculo de valor hora.
Fórmula do valor hora
A fórmula básica é: Valor Hora = (Custos Fixos + Pró-labore + Reservas) ÷ Horas Faturáveis. Vamos destrinchar cada componente.
1. Liste todos os seus custos fixos mensais
Custos que você precisa considerar:
- Aluguel / parte do aluguel se trabalha em casa (30-50%)
- Internet
- Luz (parte proporcional)
- Celular
- Software e ferramentas (Adobe, Figma, GitHub, etc.)
- Contador
- Marketing e site
- Equipamentos (divida o valor por 36 meses de vida útil)
- Cursos e atualização profissional
- Transporte para reuniões
Exemplo: Aluguel R$ 500 (parte home office) + Internet R$ 150 + Luz R$ 100 + Software R$ 200 + Contador R$ 150 + Equipamento R$ 200 = R$ 1.300/mês em custos fixos.
2. Defina seu pró-labore (quanto você quer ganhar)
Pró-labore é seu "salário". Quanto você precisa para viver + quanto quer poupar. Seja realista mas não se subestime.
Componentes do pró-labore:
- Despesas pessoais (moradia, alimentação, transporte, lazer)
- Plano de saúde (você vai pagar do próprio bolso)
- INSS como contribuinte individual (11-20% sobre o pró-labore)
- Reserva para férias (você não tem férias remuneradas)
- Reserva para emergências
- Aposentadoria privada (opcional mas recomendado)
Exemplo: Despesas R$ 4.000 + Plano de saúde R$ 500 + INSS R$ 600 + Reserva férias R$ 400 = R$ 5.500/mês de pró-labore.
3. Calcule suas horas faturáveis reais
Aqui está o maior erro: achar que vai trabalhar e faturar 160 horas por mês. Na realidade, você gasta muito tempo em atividades não faturáveis.
Tempo não faturável (que você não cobra do cliente):
- Prospecção de clientes e propostas
- Reuniões comerciais
- Administração (notas, contratos, cobranças)
- Estudos e atualização
- Redes sociais e marketing
- E-mails e comunicação
- Deslocamentos
- Dias sem projeto (entre um cliente e outro)
Na prática, freelancers conseguem faturar entre 50-70% das horas de trabalho. Em 160 horas mensais, isso dá 80-110 horas faturáveis. Vamos usar 100 horas como média.
4. Faça a conta
Com os números do exemplo: (R$ 1.300 custos + R$ 5.500 pró-labore) ÷ 100 horas = R$ 68/hora. Esse é seu valor hora MÍNIMO para não ter prejuízo.
Adicione 20-30% de margem sobre esse mínimo para ter lucro e uma reserva. No exemplo: R$ 68 × 1,25 = R$ 85/hora seria um valor mais saudável.
Quando cobrar mais que o mínimo
Situações que justificam preço premium:
- Especialização rara ou muito demandada
- Urgência do projeto
- Complexidade técnica alta
- Cliente grande com orçamento maior
- Projeto com alta responsabilidade
- Você está muito ocupado (demanda > oferta)
- O resultado vai gerar muito valor para o cliente
Como aumentar seu preço gradualmente
Estratégias para subir o preço:
- Aumente 10-20% para cada novo cliente
- Mantenha o preço antigo para clientes atuais por 6-12 meses
- Avise reajuste com 30-60 dias de antecedência
- Justifique com novas habilidades ou certificações
- Se ninguém reclamar, você estava cobrando barato
- Se muitos recusarem, volte um pouco atrás
Hora vs. projeto: quando usar cada modelo
Cobre por hora quando:
- O escopo não está claro
- O cliente costuma mudar de ideia
- É um projeto de manutenção contínua
- Você está começando e não sabe estimar
Cobre por projeto quando:
- O escopo está bem definido
- Você é rápido e eficiente (ganha mais)
- O cliente prefere preço fechado
- Você consegue estimar bem o tempo
Dica de ouro: Quando cobrar por projeto, calcule as horas que vai gastar e multiplique pelo seu valor hora + 30% de margem para imprevistos. Nunca dê preço de cabeça.
Preço não é o que você acha que vale. É o que o mercado paga por um profissional do seu nível. Estude o mercado, mas não se subestime.