Compra e Venda

Golpes na Compra e Venda de Veículo: Como Identificar e Evitar [2026]

14 de fevereiro de 2026Atualizado em 14 de fevereiro de 202612 min de leitura

Equipe GeraContratos

Especialistas em Contratos e Direito Imobiliario

O mercado de veículos usados movimenta bilhões de reais por ano no Brasil — e, infelizmente, também atrai golpistas cada vez mais sofisticados. Segundo dados do Denatran e de seguradoras, milhares de brasileiros são vítimas de fraudes na compra e venda de veículos todos os anos, com prejuízos que variam de poucos milhares a dezenas de milhares de reais.

Neste guia, detalhamos os golpes mais comuns que circulam em 2026, como identificar cada um e, principalmente, como se proteger. Conhecimento é a melhor defesa: quem sabe como os golpes funcionam dificilmente cai neles.

Veículo clonado (placa e chassi)

A clonagem é um dos golpes mais graves e difíceis de detectar. O criminoso pega um veículo roubado ou furtado e coloca nele a placa e os dados de um veículo legítimo (geralmente do mesmo modelo, cor e ano). O comprador desavisado compra o veículo achando que está regular, mas na verdade está adquirindo um veículo roubado.

Como o golpe funciona:

  • O criminoso rouba ou furta um veículo
  • Encontra outro veículo do mesmo modelo/cor com documentação regular (o 'veículo original')
  • Clona a placa e adultera a gravação do chassi e motor para corresponder ao veículo original
  • Vende o veículo clonado usando documentos falsos ou cópias do original
  • O comprador descobre a fraude quando tenta transferir no Detran ou é abordado em blitz

Como se proteger da clonagem:

  • Faça vistoria cautelar obrigatoriamente — empresas especializadas verificam autenticidade do chassi com equipamentos específicos
  • Compare pessoalmente o número do chassi gravado no veículo com o documento (batente da porta, vidros e motor)
  • Consulte no Sinesp Cidadão se a placa tem registro de roubo/furto
  • Desconfie de veículos vendidos muito abaixo da tabela FIPE
  • Verifique se os vidros têm a mesma gravação de fábrica (vidros clonados geralmente não têm)
  • Peça para ver a chave reserva e o manual do proprietário original

Hodômetro adulterado (km rebaixado)

A adulteração de hodômetro é provavelmente o golpe mais comum no mercado de usados. O criminoso reduz a quilometragem exibida no painel para fazer o veículo parecer menos rodado e, portanto, mais valioso. Um carro com 120.000 km pode aparecer com 60.000 km após a adulteração, justificando um preço maior.

Sinais de hodômetro adulterado:

  • Pedais muito gastos para a quilometragem exibida (pedais de borracha lisos com 30.000 km, por exemplo)
  • Volante desgastado (couro liso, costura solta) incompatível com baixa quilometragem
  • Banco do motorista com deformação excessiva para a km declarada
  • Parafusos do painel com marcas de remoção (para acessar o hodômetro)
  • Km registrada na central eletrônica (via scanner OBD2) diferente da exibida no painel
  • Registros de revisão em concessionária com km mais alta que a atual (peça o histórico à montadora)
  • Adesivo de troca de óleo no para-brisa com km superior à do painel

Adulteração de hodômetro é crime previsto no Art. 311 do Código Penal (adulteração de sinal identificador de veículo), com pena de 3 a 6 anos de reclusão. Além disso, o comprador pode anular a venda por vício redibitório (Art. 441 do CC) e exigir devolução integral do valor pago.

Veículo com sinistro oculto

Veículos que sofreram sinistro (acidente grave, enchente, incêndio) são reparados e vendidos como se nunca tivessem tido problema. O sinistro compromete a segurança estrutural do veículo e reduz significativamente seu valor de mercado (30% a 50% menos que um veículo sem sinistro).

Sinais de veículo com sinistro oculto:

  • Diferenças de tonalidade na pintura entre painéis (repintura parcial)
  • Folgas desiguais entre portas e carroceria
  • Soldas irregulares ou recentes em colunas e longarinas (visíveis por baixo do carro)
  • Parafusos de capô, portas ou para-lamas com marcas de remoção
  • Airbags substituídos (verificar pela etiqueta no volante e painel)
  • Cheiro de mofo persistente (indica alagamento)
  • Manchas de ferrugem incomuns em partes internas (indica contato com água)
  • Fiação elétrica com emendas ou reparos visíveis

A vistoria cautelar profissional é a forma mais confiável de identificar sinistro oculto, pois as empresas têm acesso a bases de dados de seguradoras que registram todos os sinistros comunicados. Se o veículo foi indenizado por uma seguradora (perda total ou parcial), essa informação constará no laudo.

Golpe do financiamento fantasma

Neste golpe, o vendedor oferece um veículo que está financiado (com alienação fiduciária), mas não informa ao comprador. O criminoso recebe o dinheiro da venda e para de pagar as parcelas do financiamento. O banco, sendo o verdadeiro proprietário, retoma o veículo do comprador, que perde o carro e o dinheiro.

Variações do golpe do financiamento:

  • Versão clássica: Vendedor omite o financiamento e some após receber o pagamento
  • Versão 'contrato de gaveta': Vendedor propõe que o comprador assuma as parcelas sem transferir o financiamento. Se qualquer parcela atrasar, o banco retoma o veículo
  • Versão refinanciamento: Vendedor propõe quitar com o dinheiro da venda, mas usa o dinheiro para outra finalidade
  • Versão dupla venda: Vendedor vende o mesmo veículo financiado para duas pessoas diferentes

Como se proteger:

  • Consulte alienação fiduciária no Detran e no SNG (Sistema Nacional de Gravames da B3) antes de pagar
  • Se houver financiamento, exija a quitação antecipada ANTES de pagar o valor da compra
  • Acompanhe pessoalmente a quitação no banco ou exija comprovante oficial de baixa do gravame
  • Nunca aceite 'contrato de gaveta' para veículo financiado
  • Verifique no CRLV se há observação de alienação fiduciária

Dívidas ocultas (IPVA, multas, penhora)

Alguns vendedores tentam se livrar de veículos com dívidas acumuladas (IPVA atrasado, multas não pagas, penhora judicial) transferindo o problema para o comprador desavisado. As dívidas ficam vinculadas ao veículo, não ao proprietário — portanto, quem compra herda as pendências.

Dívidas que ficam vinculadas ao veículo:

  • IPVA atrasado (todos os exercícios em aberto)
  • Multas de trânsito (mesmo as do antigo proprietário, se não transferiu a pontuação)
  • Licenciamento em atraso
  • Penhora judicial (por dívida do proprietário em processo judicial)
  • Busca e apreensão (por inadimplência de financiamento)
  • Indisponibilidade judicial (ordem de juiz bloqueando transferência)

Como se proteger:

  • Consulte TODAS as pendências no portal do Detran antes de pagar
  • Inclua no contrato cláusula obrigando o vendedor a quitar todos os débitos anteriores à data da venda
  • Exija certidão negativa de multas e comprovante de IPVA quitado
  • Consulte restrições judiciais no Detran e no SNG
  • Se houver dívidas, negocie desconto no valor ou exija quitação antes da assinatura do contrato

Golpe do falso depósito / PIX adulterado

Golpe em ascensão desde a popularização do PIX. O comprador golpista simula o pagamento usando comprovantes falsificados, aplicativos de edição de imagem ou transferências entre contas próprias que depois são estornadas.

Variações do golpe de pagamento falso:

  • Comprovante PIX falsificado: Golpista envia print de comprovante editado em aplicativo de imagem. O dinheiro nunca foi transferido
  • PIX agendado: Golpista agenda o PIX para uma data futura (aparece como 'agendado' no comprovante, não como 'realizado')
  • PIX de conta bloqueada: Golpista faz PIX de conta com saldo insuficiente ou bloqueada. O PIX aparece como iniciado mas é estornado horas depois
  • Cheque sem fundos: Golpe clássico — cheque devolvido por falta de fundos após o vendedor entregar o veículo
  • Depósito em envelope vazio: Golpista faz depósito em caixa eletrônico com envelope vazio e mostra comprovante

Regra de ouro para pagamento: NUNCA entregue o veículo ou assine documentos antes de confirmar que o dinheiro CAIU na sua conta. Abra o aplicativo do seu banco e verifique o saldo atualizado. PIX legítimo cai em segundos — se o comprador pedir para 'esperar compensar', é golpe.

Golpe do intermediário fantasma

Neste golpe, o criminoso se apresenta como intermediário (despachante, corretor de veículos ou até amigo do vendedor) e cobra uma taxa para facilitar a transação. Após receber o dinheiro, desaparece sem realizar nenhum serviço. Em versões mais elaboradas, o intermediário coleta dados pessoais e documentos para aplicar outros golpes (abertura de contas, empréstimos fraudulentos).

Como se proteger do intermediário fantasma:

  • Negocie diretamente com o proprietário cujo nome consta no CRV/CRLV
  • Se usar despachante, escolha um credenciado pelo Detran (consulte no site do Detran do estado)
  • Nunca pague taxas antecipadas para intermediários desconhecidos
  • Desconfie de quem oferece facilidades demais (transferência sem vistoria, sem taxa, instantânea)
  • Nunca entregue originais de documentos a intermediários

Veículo de leilão disfarçado

Veículos arrematados em leilão de seguradoras (sinistro, recuperado de furto, etc.) têm valor de mercado significativamente menor — de 30% a 50% abaixo da FIPE. Alguns vendedores compram esses veículos no leilão, fazem reparos cosméticos e revendem pelo preço de mercado normal, sem informar a procedência.

Problemas com veículos de leilão não declarados:

  • Podem ter danos estruturais que comprometem a segurança, mesmo com reparo cosmético perfeito
  • Valor de revenda permanece abaixo da FIPE (30-50% menos) quando descoberta a procedência
  • Seguradoras podem se recusar a fazer seguro ou cobrar valor significativamente maior
  • Alguns têm restrição de sinistro no documento que impede circular em alguns estados
  • Reparos feitos com peças genéricas ou remanufaturadas que têm menor durabilidade

Como identificar veículo de leilão:

  • Vistoria cautelar verifica histórico de leilão nas bases de seguradoras
  • Preço significativamente abaixo da FIPE sem justificativa convincente
  • Vendedor com CNPJ de revenda de veículos (consulte no CNPJ da nota fiscal)
  • Veículo com pintura recente em toda a carroceria (indicando sinistro extenso)
  • Adesivos de seguradora ou leiloeiro dentro do cofre do motor ou porta-malas

Como se proteger: checklist anti-golpe

Reunimos as medidas de proteção mais importantes em um checklist único. Siga todos os itens antes de fechar qualquer negociação de veículo usado.

Checklist anti-golpe para compra de veículo:

  • Faça vistoria cautelar profissional em empresa credenciada (R$150-R$300) — investimento que pode evitar prejuízo de R$10.000+
  • Consulte placa no Sinesp Cidadão (app gratuito) — verifica furto/roubo
  • Consulte pendências no portal do Detran — multas, IPVA, restrições
  • Consulte alienação/gravame no SNG da B3 — financiamento e penhora
  • Compare número do chassi no veículo com o documento (batente da porta e vidro)
  • Verifique se o vendedor é o proprietário que consta no CRV/CRLV
  • Consulte valor na tabela FIPE — desconfie de preços muito abaixo
  • Faça test drive completo (frio, quente, lombada, aclive)
  • Leve mecânico de confiança para avaliação
  • Exija pagamento rastreável (PIX, TED) e confirme na conta antes de entregar documentos
  • Faça contrato de compra e venda por escrito com todas as cláusulas de proteção
  • Encontre-se em local público e seguro para fechar negócio
  • Nunca pague sinal ou reserva sem ter visto e vistoriado o veículo pessoalmente
  • Se algo parecer bom demais para ser verdade, provavelmente é golpe

O que fazer se cair em golpe

Passo a passo se você for vítima de golpe na compra de veículo:

1

Registre boletim de ocorrência imediatamente

Vá à delegacia mais próxima ou registre online (disponível na maioria dos estados). Leve todos os documentos: contrato, comprovantes de pagamento, conversas (WhatsApp, e-mail), fotos e dados do vendedor. O BO é essencial para qualquer ação posterior.

2

Comunique ao Detran

Se já foi feita comunicação de venda ou transferência, informe ao Detran que a transação é fraudulenta. Solicite o bloqueio administrativo do veículo para impedir nova transferência.

3

Notifique o banco (se envolver financiamento)

Se o golpe envolver alienação fiduciária ou financiamento, comunique imediatamente ao banco credor. Apresente o BO e documentação da fraude.

4

Procure um advogado

Para valores significativos, consulte um advogado especializado em direito do consumidor ou criminal. Para valores até 40 salários mínimos, você pode usar o Juizado Especial Cível (sem advogado obrigatório para até 20 SM).

5

Reclame no Procon (se vendedor for PJ)

Se a venda foi feita por empresa (concessionária, revenda), registre reclamação no Procon. Concessionárias e revendas respondem pelo Código de Defesa do Consumidor.

6

Preserve todas as provas

Guarde absolutamente tudo: contrato, conversas de WhatsApp (faça backup), e-mails, comprovantes bancários, fotos do veículo, prints de anúncios online. Provas digitais são aceitas em juízo.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre golpes na compra e venda de veículos

Como saber se um carro é clonado?

A forma mais segura é fazer vistoria cautelar profissional, que verifica autenticidade do chassi com equipamentos específicos. Você também pode comparar pessoalmente o número do chassi (batente da porta, vidros, motor) com o documento, consultar no Sinesp Cidadão e verificar se os vidros têm gravação original de fábrica.

Posso recuperar o dinheiro se comprar veículo roubado?

O veículo será apreendido e devolvido ao proprietário original. Para recuperar o dinheiro, você precisará entrar com ação judicial contra o vendedor. Se o vendedor for identificado e tiver bens, é possível recuperar. Se não for localizado, a recuperação é muito difícil. Por isso, a prevenção (vistoria cautelar) é fundamental.

Compra em concessionária é segura?

Mais segura que entre particulares, mas não isenta de problemas. Concessionárias respondem pelo CDC (90 dias de garantia legal) e são mais fáceis de processar judicialmente. Mesmo assim, faça vistoria independente e verifique o histórico do veículo.

Anúncio online é confiável?

Plataformas como OLX, Webmotors e iCarros são meios de anúncio legítimos, mas os anunciantes podem ser golpistas. Desconfie de preços muito baixos, vendedores que não permitem visita presencial, pedidos de sinal/reserva antes de ver o veículo e quem se recusa a fornecer dados pessoais verificáveis.

O que é o golpe do consórcio contemplado?

Golpista oferece carta de consórcio contemplada com grande desconto para compra de veículo. Cobra um valor de entrada ou taxa de transferência e desaparece. A carta não existe ou pertence a terceiro. Nunca compre cotas de consórcio de desconhecidos — negocie diretamente com a administradora.

Como verificar se o veículo tem sinistro?

Faça vistoria cautelar — empresas especializadas consultam as bases de seguradoras que registram todos os sinistros. Visualmente, procure diferenças de pintura entre painéis, folgas desiguais nas portas, soldas irregulares e parafusos com marcas de remoção. Veículos de leilão têm registro que também é consultado na vistoria.

Contrato de compra e venda protege contra golpe?

O contrato é uma proteção importante, pois registra os dados do vendedor, as condições da transação e as declarações sobre o veículo. Em caso de fraude, o contrato serve como prova para ação judicial e boletim de ocorrência. Porém, o contrato sozinho não impede todos os golpes — combine com vistoria cautelar e consultas de pendências.

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